recife resiste!


Resistências cotidianas
12/10/2010, 15:43
Filed under: digressões | Tags: ,

O marasmo nos é palpável. Realizamos as atividades corriqueiras das nossas vidas acompanhados da impressão de que os sonhos acabaram e que chegamos a um lugar onde não existe espaço para mudanças e contestações. É importante, entretanto, nos questionarmos sobre quão verdadeiro é isto. Será que o capitalismo venceu e não há nada mais a ser feito ou sendo feito?

Não, isto não é verdade. Cotidianamente surgem processos de resistência contra a ordem estabelecida. São esforços, gritos e chutes pela superação de um mundo de opressões. Quase que diariamente algo acontece: os que lutam contra o capital não estão sozinhos. Seja um protesto espontâneo contra a demora de um ônibus, ou uma rebelião contra o sistema carcerário assassino, tudo isso comprova que não são todos que suportam viver nesse mundo de cifras.

O capitalismo consegue de maneira muito astuciosa esconder estes processos, torná-los invisíveis.  Tudo aquilo que não interessa às elites é marginalizado. Isto gera a sensação de marasmo, de isolamento. Não nos identificamos com uma greve no metrô e chegamos até a condená-la por afetar as nossas vidas particulares. Não é interesse do capital que compreendamos a importância daquela greve para a construção de uma vida mais justa para os metroviários.

A grande mídia tem um papel fundamental neste processo de tornar invisíveis as resistências cotidianas. Não é interesse destes veículos de comunicação dar uma visibilidade muito grande para estes processos. Quando se dão ao trabalho de mencioná-los, fazem um retrato quase sempre caricato de experiências que são fundamentais na vida das pessoas que os vivem. O protesto de conselheiros tutelares não é somente “empurra-empurra e indignação”: se pudéssemos conversar com eles perceberíamos as justas causas daquela ação.

O coletivo “Recife Resiste!” caminha no sentido oposto a tudo isto: lutamos pelo protagonismo das lutas populares. As resistências cotidianas são passos para a emancipação social. Estes passos também podem ser errantes: não são necessariamente “conscientes” nem “profícuos”. Muitas vezes têm como resultado a criação de contextos ainda mais opressores e que afastam ainda mais as pessoas da possibilidade de autogerirem as suas vidas. Porém, são passos fundamentais em direção a outra forma de fazer política. Questionam, mesmo que indiretamente, este modelo político que nos parece tão natural: transferir para outras pessoas o poder de decidir sobre os nossos próprios destinos.

Recife Resiste!

(Texto publicado no jornal “Estilhaço”, edição nº0)

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