recife resiste!


Relembrando 2005
09/01/2011, 08:44
Filed under: digressões | Tags: , ,

Não deixando que aquilo vivido em 2005, e nesse mês de novembro de 2010 completando 5 anos, fosse esquecido, foi feito um breve resumo de tudo  aquilo…

Ao voltar do feriado nos deparamos com um aumento de 9,55% no preço das passagens (a tarifa A passou de R$1,50 para R$1,65 e a B de R$2,30 para R$2,50). A partir de então as ruas de Recife passam a ser palco de grandes protestos que há anos não se viam na cidade.

17 de novembro de 2005 (quinta-feira)

Voltando à rotina massacrante casa/trabalho/casa após o feriado, a população não ficou nada satisfeita com mais um aumento arbitrário. Para o fim da tarde algumas organizações estudantis chamaram um ato contra o aumento das passagens, no entanto quem engrossou esse primeiro protesto foram indivíduos que passavam pela avenida Conde da Boa Vista e espontaneamente aderiram à manifestação.
Desde as 15 horas bloqueios foram feitos na Conde da Boa vista, algumas vezes sendo dispersado pela polícia mas voltava a acontecer em outros locais. Avenida Guararapes, rua da Aurora, avenida Cruz Cabugá também foram pontos de bloqueio, o que fez Recife parar. Afinal “se a passagem não baixar, Recife vai parar!”.
O protesto durou até cerca das 23 horas, durante o período da noite vários confrontos com a polícia ocorreram, algumas pequenas barricadas com entulhos tentaram ser erguidas e alguns lixos foram queimados.
Segundo as fontes oficiais o saldo do dia foi:
–        17 detidos;
–        1 ferido;
–        mais de 50 ônibus marcados pela raiva popular (pixados, quebrados…)
18 de novembro de 2005 (sexta-feira)

No segundo dia de manifestações a mídia corporativa disse que havia cerca de 100 pessoas, enquanto o relato de uma manifestante dizia ter cerca de 300 depois de um certo esvaziamento. A repressão policial foi enorme, a marcha passou pelos principais pontos da centro da cidade. Ao chegar em frente ao Palácio do Governo uma assembléia aberta ocorreu decidindo continuar o protesto e qual percurso tomar.
Alguns confrontos com a polícia ocorreram, mais prisões e mais ônibus atacados. Na avenida Visconde Suassuna a tropa de choque atacou a manifestação pelas costas, lançando bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo, spray de pimenta e muitas cacetadas. Alguns sindicatos da redondeza serviram de abrigo para os manifestantes, mas muitos foram presos por estarem encurralados.
Primeiros relatos de prisões ilegais em quartéis começaram nesse dia. Também a partir de então a inteligência da polícia começou a atuar efetivamente tirando fotos e filmando incessantemente.
Segundo as fontes oficiais o saldo do dia foi:
–        30 detidos;
–        mais de 20 ônibus atacados
21 de novembro de 2005 (segunda-feira)

O ponto de concentração do terceiro dia de protesto era na rua do Hospício em frente ao Ginásio Pernambucano. Agrupadas as primeiras pessoas a polícia cercou a concentração, “ninguém entra, ninguém sai!”. O cerco durou durante toda a tarde, em alguns momentos os manifestantes conseguiram driblar a polícia e chegaram a alguns pontos da cidade e resultando em confrontos com a polícia.
A cidade estava em estado de sítio, polícias das mais diversas companhias circulavam pelo centro com armas em punho. A tropa de choque já não mais andava pela parte central da avenida Conde da Boa Vista e preferia a marquise dos prédios para se esconder dos objetos que eram lançados pelos moradores em solidariedade às manifestações.
Houve também protestos na periferia, em Dois Unidos e Beberibe. Lá também foi tenso resultando em alguns ônibus e carros avariados por conta de uma barricada de pneus em chamas.
O saldo oficial do dia:
–        18 detidos;
–        1 ferido;
–        alguns ônibus quebrados
22 de novembro de 2005 (terça-feira)

O dia em que a repressão foi das maiores, quarto dia de protestos. Vários atos descentralizados ocorreram na avenida Caxangá, no Encruzilhada, no centro, entre outros pontos.
Nesse dia o coronel Meira liderando a tropa de choque invadiu a escola ETEPAM agredindo e prendendo professores e alunos que assistiam às manifestações. Alguns alunos ao serem colocados no camburão relataram que policiais abriam uma janela e atiravam spray de pimenta no interior do veículo. Um aluno teve de ser socorrido após tal atrocidade.
No centro da cidade duas meninas foram esfaqueadas por um policial durante um tensão entre polícia e manifestantes. Uma levou 10 pontos e a outra 15.
Um militar reformado teve um cassetete quebrado em sua cabeça por questionar um PM que espancava um manifestante. Ele teve de ser encaminhado ao Hospital do Exército e quase sofreu um traumatismo craniano.
O saldo oficial do dia:
–        mais de 60 prisões;
–        vários feridos
23 de novembro de 2005 (quarta-feira)

A quarta-feira foi o dia da grande manifestação, segundo os organizadores cerca de 10.000 pessoas, enquanto segundo as fontes oficiais não mais de 3.000.
O dia começou tenso com um carro de som apreendido pela polícia na praça do Diário. Em seguida a concentração foi em frente à OAB, com a intervenção da ordem o carro foi liberado pela polícia e a marcha pôde começar.
Passou-se pelos principais pontos da cidade com música, panfletos, faixas e palavras de ordem. A polícia acompanhou tudo de perto, a secretaria de defesa social anunciou no dia anterior que colocaria um efetivo de 1.000 policiais na rua para essa manifestação.
Nenhum ônibus foi quebrado e não houveram nem feridos e nem prisões.
17 de fevereiro de 2006 (sexta-feira)

Passados Natal, Ano Novo, vestibular e férias o movimento enfraqueceu. As reuniões do Comitê contra o Aumento de Passagem e pelo Passe Livre continuaram acontecendo aos sábados e marcou-se uma manifestação para 17 de fevereiro a fim de retomar a mobilização.
O protesto começou em frente ao ponto de recarga do antigo “passe-fácil”, após uma concentração com distribuição de panfletos e um PASSE LIVRE pixado na frente da instituição, o protesto seguiu rumo a avenida Conde da Boa Vista. Lá o tráfego foi parado e na altura da FAFIRE alguns ônibus foram atacados e a polícia acionada.
O saldo foi:
–        8 ônibus avariados;
–        3 detidos
Fonte: Estilhaço nº1
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3 Comentários so far
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aparentemente tem um pessoal organizando um ato também amanha. se nao me engano sera em frente ao shopping boa vista no inicio da tarde. se nao me engano de novo é um pessoal que participou dessa historia contra o aumento dos parlamentares e tem alguns interessadxs em rearticular o movimento passe livre (MPL) em recife. apareçam e deem a informacao correta!

vamos barrar esse aumento, hein!

Comentário por omen

que eu saiba, não vai rolar ato dessa galera dos parlamentares amanhã. vai ser só uma panfletagem pra divulgar o protesto da une, e pra chamar pra conversar sobre um outro protesto que pode rolar ainda essa semana….
mas amanha pode rolar outros agitos na boa vista. é baum ficar ligado no centro, mano

Comentário por CABUM

VOCES TEM DE MUDAR O NOME DO SITE PARA>>> RECIFE ASSISTE

Comentário por @rodrigo_juan




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