recife resiste!


Lançamento reciferesiste.org
03/11/2011, 00:38
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Não é novidade que o Recife Resiste! vem tentando aprimorar as suas ferramentas de comunicação, e agora, finalmente, estamos desenvolvendo nosso polegar opositor! Mas calma, não é apenas para curtir no Facebook: neste dia 5 de novembro vamos comemorar o lançamento do nosso novo site, reciferesiste.org.


Esse encontro inaugura uma nova etapa no Recife Resiste!. O contato com outras experiências de mídia (rádio e vídeo principalmente) e o fato de termos trocado idéias com outros grupos – Antena Negra TV, CMI-Brasília, Rádio Cordel Libertário, Desinformémonos – contribuíram bastante para essa nova instiga do coletivo. Percebemos que o momento era de unirmos nossas motivações individuais para diversificar os instrumentos e estratégias do coletivo e potencializar a construção de uma comunicação autônoma. A intenção é alargar a “pequena contribuição para a derrocada do capitalismo”.
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Sobre o suicídio e suas polêmicas…
02/10/2011, 18:41
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    Se te queres matar, por que não te queres matar?
Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,
Se ousasse matar-me, também me mataria…
Ah, se ousares, ousa!
De que te serve o quadro sucessivo das imagens externas
A que chamamos o mundo?
A cinematografia das horas representadas
Por atores de convenções e poses determinadas,
O circo policromo do nosso dinamismo sem fím?
De que te serve o teu mundo interior que desconheces?
Talvez, matando-te, o conheças finalmente…
Talvez, acabando, comeces…
E, de qualquer forma, se te cansa seres,
Ah, cansa-te nobremente,
E não cantes, como eu, a vida por bebedeira,
Não saúdes como eu a morte em literatura!

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A barbárie em 3 anos: a copa e a mobilidade em Recife.
18/08/2011, 14:26
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Com um pouco mais de ousadia aqui que o outro, um pouco menos ali, os dois grandes jornais corporativos da cidade comemoram a construção dos quatro viadutos na Agamenon. “O FUTURO EM 3 ANOS” diz o Diário, “O TRÂNSITO DO FUTURO” diz o Commercio (11/08/2011), num discurso onde o termo futuro figura como sujeito de um estado superior. Semelhante aos planos quinquenais na Rússia stalinista, aos 50 anos em 5 no Brasil de JK ou ao milagre econômico da ditadura militar, o “futuro em 3 anos” repete mais um capítulo do capitalismo desenvolvimentista.

A mobilidade na cidade do Recife já saturou faz muito tempo e é apenas sob um olhar muito desatento que não percebemos essa realidade. Não há mais horário pra se pegar trânsito, ele existe toda hora, os ônibus estão completamente lotados e neles ainda sofremos com o congestionamento das vias, os altos preços de suas tarifas e com a natureza violenta e desumana do tráfego viário que joga os passageiros pra lá e pra cá dentro do ônibus como se fosse um saco de batatas. O motivo desse cenário lamentável é o contínuo investimento em transporte privado e motorizado. O metrô de Recife é irrisório, não existem ciclovias ou VLT’s e ainda não se usa os rios na Veneza brasileira. E qual é o sentido de ser desse cenário se todos sabem que pra resolver o problema da mobilidade precisamos investir em transporte público e não rodoviário?

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A GREVE DA REDE PRIVADA DE ENSINO EM 2011
14/06/2011, 13:18
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        Com 21 anos de sala de aula, desses 21, 17 na rede privada de Pernambuco, talvez fosse o suficiente para acreditar e às vezes até verbalizar que passaríamos, mais uma vez por tudo novamente e do mesmo jeito. Pura bobagem.

        O igual está em nossas cabeças ou são questões determinadas pelo Estado, como por exemplo a data base, ou o formato de negociação entre patrões e empregados e mesmo assim, até essas definições obedecem direta ou indiretamente a dinâmica de uma correlação de forças.

        Igual mesmo? Posso citar: a sigla do sindicato SINPRO, uns acreditando que não temos forças, outras tendo a certeza que somos a categoria profissional mais organizada do mundo, àqueles que apostam na consciência política do educador, assim como aqueles que votam a favor da luta e esquecem do que votaram e até os que não querem lutar. Essas questões que se repetem e as vezes pensamos construir uma realidade igual as anteriores, são exatamente as que fazem diferença.

        Lutar para sair dos 6,31% para 7% de reposição que a inflação já comeu, vem uma sensação de que paramos quando apenas começavamos, afinal era simplesmente o segundo dia de greve.

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Relato sobre o debate com o reitor da UFPE (Campus-Recife)
09/06/2011, 10:30
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Gran Finale

Finalmente chegamos ao espetáculo final, o circo junta seus trapos para a mudança de cidade. Casa cheia, lugares ocupados. O show começou com atrasos, dessa vez, não causados pelos estudantes da instituição (que marcaram presença e foram com o bom intuito de exigir seus direitos de forma justa e ordenada), mas sim por participantes de movimentos estudantis que não eram estudantes do IF e foram proibidos de entrar, não-pagantes que queriam entrar no picadeiro, porém alguns se recusaram a sair e só o fizeram depois de muito tempo de conversa. Bem, pelo menos os expulsos em si protestavam apenas conversando, enquanto seus apoiadores de dentro da instituição o faziam gritando sendo respondidos por outros funcionários também gritando. Mas após esses atropelos o espetáculo finalmente começou, na apresentação dos artistas quem esperava algo morno se decepcionou, pois desde o começo o Gran Finale mostrou para que veio, as farpas começaram a ser trocadas, todos dessa vez comentaram que o importante eram os alunos, uns mais, outros menos, uns quase em cima do tempo… Desde o inicio Verdes, Roxos, Amarelos e Azuis se combatiam, e assim prosseguiu, aquecendo pergunta a pergunta no morno segundo bloco até chegar ao clímax do final do segundo bloco e começo do terceiro, a platéia às vezes ultrapassava de euforia e vários apelos e gritos eram ouvidos, mas o mestre de cerimônia dessa vez era outro e conseguiu impor uma certa ordem. Continue lendo



sobre os conflitos no campo no Brasil: quem está por trás das mortes?
09/06/2011, 09:49
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Vimos nos últimos dias a imprensa falada e escrita destacar os recentes conflitos no campo no Brasil. Nenhuma novidade para a CPT e para as vítimas do agronegócio e do projeto do capital. A Comissão Pastoral da Terra, desde 1985, vem prestando um serviço à sociedade brasileira, com o registro e a devida divulgação dos conflitos e violências cometidas contra os camponeses e as camponesas, através de seu relatório anual: Conflitos no Campo Brasil. As mortes de José Cláudio e Maria do Espírito Santo, em pleno dia de votação do “novo” Código Florestal, podem ser consideradas, como diz a nota divulgada pela CPT: ”Crônicas de mortes anunciadas”. Segundo a nota, “de 2000 a 2011, a CPT tem registrado, em seu banco de dados, ameaças de morte no campo contra 1.855 pessoas. De 207 pessoas há o registro de terem sofrido mais de uma ameaça. E destas, 42 foram assassinadas e outras 30 sofreram tentativas de assassinato. 102 pessoas, das 207, foram ou são lideranças e 27 religiosos ou agentes de pastoral”. Em Pernambuco não é diferente. O setor de documentação da CPT nos informa que, no período compreendido entre 2000 e 2011, a CPT registrou a ocorrência de 52 pessoas ameaçadas de morte. Dentre essas ameaças, uma se concretizou: a de uma liderança indígena da tribo Truká, em 23 de agosto de 2008, no município de Cabrobó. No mesmo período, ou seja de 2000 a 2011, em Pernambuco foram assinadas 34 pessoas no campo. Dessas, 11 eram lideranças (está incluso aqui duas lideranças indígenas e um dirigente sindical), 11 Sem Terras, sete Indígenas, três Assentados, dois Trabalhadores rurais, um Posseiro e um Assalariado. O que chama atenção é que a maioria dos assassinatos no campo em Pernambuco ocorreram na Região da Zona da Mata: 18 em um total de 34. Das 52 pessoas ameaçadas de morte entre 2000 e 2011, a maioria se encontra também na Zona da Mata. Continue lendo



O que o Estado, a polícia e a Ordem têm a ver com a Marcha da Maconha?
23/05/2011, 16:46
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Esse texto é uma tentativa de construir uma outra Marcha da Maconha e não destruí-la. Estávamos presentes e sempre vamos estar, entretanto faz parte do processo repensar os caminhos da luta para entender onde estamos indo e onde queremos realmente chegar.

 ***

 Vitoriosos, em primeiro lugar, por que tivemos mais participantes do que a Marcha da Família. Eram cerca de 2 mil maconheiros e simpatizantes contra mil neo-inquisidores da tradição cristã que fizeram todo mundo lembrar da histórica marcha da Família com Deus pela Liberdade que deu sinal verde para a virulenta ditadura militar. Derrotados, em seguida, pelo caráter despolitizado e ordeiro da “nossa” própria marcha.

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Uma historinha sobre liberdade de imprensa
31/03/2011, 20:04
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O carnaval já estava praticamente na rua quando a história estourou nas páginas do Jornal do Commercio da quinta-feira anterior à folia. Dizia a matéria que um jornalista da empresa havia sido interrogado por coronéis da corregedoria da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco. Os de farda queriam saber a fonte de uma série de reportagens que denunciavam irregularidades no Corpo de Bombeiros. Um absurdo que viola não só a Constituição Brasileira, mas também diversas normativas internacionais. O sigilo da fonte é um direito de quem tem o dever de informar a população e faz parte dos preceitos da liberdade de imprensa.

Não demorou para que a sociedade civil se movimentasse. O Movimento Nacional dos Direitos Humanos foi o primeiro a encabeçar uma nota pública repudiando o fato. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Pernambuco também divulgou posicionamento similar. Na mesma tarde foi marcada uma entrevista coletiva em que não só entidades ligadas ao MNDH e SinjoPE estiveram presentes, mas também a Ordem dos Advogados de Pernambuco e o próprio JC fez-se representar através de seu diretor de redação Ivanildo Sampaio. O objetivo: mais uma vez repudiar a ação dos coronéis e informar sobre a intenção de notificar o caso à ONU e à OEA.

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Tempo de tolerância nos jornais
31/03/2011, 19:56
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Se as revoluções democráticas na Tunísia e no Egito ocorressem em Pernambuco, os jornais possivelmente trariam manchetes como “Mais uma tarde de caos no trânsito” com matéria vinculada “Congestionamento durou seis horas”. Foi assim durante a mobilização dos camelôs, em dezembro de 2010, e, recentemente, na passeata dos estudantes contra o aumento no preço das passagens de ônibus.

O pressuposto de liberdade da cartilha liberal, o direito de ir e vir, aparece como critério-notícia da ordem do dia, relegando a reivindicação dos movimentos sociais para segundo plano. Prova disso é carta ao leitor veiculada pelo Diário de Pernambuco no última segunda-feira (31/01). A sugestão é impor o “tempo de tolerância” para os protestos no espaço público.

Ao se referir a um bloqueio feito por moradores na BR-101 Norte, em Igarassu, o missivista reitera a cantilena. Diz ele que “deveria haver pela polícia uma tolerância de aproximadamente 15 minutos em cada protesto e a partir daí partiriam para a força, pois não é admissível que fiquemos à mercê de protestos esdrúxulos”.

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As novas perspectivas dos acampados em Pernambuco
20/03/2011, 11:28
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Antônio Alexandre da Silva, de 57 anos, começou a trabalhar no corte da cana-de-açúcar aos 11. Depois de mais de quatro décadas de uma rotina que o deixou com mãos calejadas e a pele talhada pelo sol, foi demitido sem receber um tostão. Junto com ele, outros tantos homens e mulheres foram mandados embora dos engenhos Chupati e Pixaó, sem ter o que mereciam.

Assim como Seu Antônio, muitos desses que moravam no próprio engenho e ficaram sem ter para onde ir depois da demissão em massa vivem hoje no acampamento Maria Paraíba. Organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, em São Lourenço da Mata, Pernambuco, o local conta com cerca de 200 famílias acampadas.

“Não tínhamos condições de pagar os aluguéis. Então começamos a passar necessidades. Foi aí que o MST nos procurou e perguntou se a gente queria ir para o acampamento”, explica Mariluce Porfírio, 43 anos, que também trabalhava no corte da cana. “A gente aceitou pelas nossas necessidades. Hoje estamos aqui lutando para, pelo menos, ter um pedaço de terra para plantar e ter o nosso sustento”.

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Obras da transposição do Rio São Francisco violam direitos humanos
04/03/2011, 10:24
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Falta de água potável, falta de titulação e demarcação das terras dos quilombolas e indígenas, falta de escolas, de posto médico.

Esses são alguns dos exemplos de violação dos direitos humanos que constam no Relatório da Missão à Petrolina e região do Rio São Francisco, apresentado pela Plataforma Dhesca Brasil – Rede Nacional de Direitos Humanos, que congrega entidades ligadas às redes de direitos humanos da sociedade civil.

O relatório foi apresentado oficialmente pelo sociólogo Sergio Sauer, no plenário da Assembléia Legislativa de Pernambuco, no dia 22 de fevereiro.

Sauer fez um breve relato das principais demandas e recomendações do relatório, frisando que todo o trabalho foi estruturado a partir da coleta de depoimentos e denúncias dos integrantes das comunidades de Pernambuco atingidas pelas obras de transposição do rio São Francisco e pela construção de barragens no semi-árido.

Ele lembrou que a missão de verificação in loco aconteceu em outubro de 2010, com visitas aos municípios de Petrolina, Santa Maria da Boa Vista e Cabrobó, região do sertão do São Francisco, onde está concentrado grande número de assentamentos da Reforma Agraria.

Para ele, essas obras “violam os direitos humanos dessas populações, principalmente o direito à terra e território. E nem as obras de compensação como habitação adequada e escolas até agora foram cumpridas”.

O documento assinado em 2008 entre o Ministério da Integração e o Incra nacional, que garantia compensação das perdas de lotes individuais e das áreas dos assentamentos da Reforma Agrária com a construção de dutos da transposição, não foi cumprido.

As comunidades tradicionais como os quilombolas e indígenas e moradores dos assentamentos da Reforma Agrária são os principais atingidos pela transposição do São Francisco e pela construção de barragens de Riacho Seco e Pedra Branca, ambas obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

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O protesto de sexta (04/02) e a nota da Grande Recife Consórcios

Nessa  sexta-feira (04/02), o Comitê contra o aumento organizou mais um ato na cidade do Recife. Dessa vez os manifestantes protestaram contra o aumento das passagens de forma mais inovadora: ocuparam o SETRANS, na Maciel Pinheiro, por cerca de 1h. Alguns carregavam cartazes com exigências como “redução é pouco, passe livre já”, enquanto outros traziam consigo bandeiras da UESPE, que acabavam por dar mais visibilidade a esta entidade do que à causa.

Houve panfletagem e agitação com gritos como “mãos ao alto, R$3,10 é um assalto”, no intuito do movimento dialogar com a população e convidá-la para o próximo ato organizado pelo Comitê, o qual será na quarta-feira, 09/02. Alguns reprovaram a iniciativa, outros aplaudiram e até se juntaram ao grupo de 30 pessoas que agitava a sede do VEM.  Em um determinado momento, soltou-se uma bombinha no canto de uma parede, o que assustou algumas pessoas devido ao barulho e à fumaça. No entanto, ninguém se feriu – o que seria bem improvável diante de uma mera bombinha – , não havendo dano qualquer a integridade física dos manifestantes e muito menos dos clientes. Nesse ponto, é importante fazer uma ressalva como resposta à nota mentirosa publicada pela empresa em questão e pelo governo do Estado nos principais jornais da cidade: não houve arremesso de bolinhas de gude, de modo que os participantes do ato não agrediram de maneira alguma a população. Pelo contrário, o movimento está com as pessoas e contra o governo.

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O “caos” midiático e a legitimação da ordem

Neste artigo, o coletivo de contra-informação Recife Resiste analisa matéria do Diario de Pernambuco referente ao protesto estudantil contra o reajuste de passagens e lança questões pertinentes sobre a dinâmica urbana do Recife, o direito à cidade e o isolamento da periferia. Durante as semanas de protesto, a equipe do Recife Resiste fez a cobertura das manifestações no centro da cidade.

Confira o artigo completo no site OmbudsPE.



A política da higienização atinge o Recife Antigo

Está aí mais um projeto da prefeitura para o Recife Antigo. O vídeo abaixo está circulando pela internet como projeto para um “novo” Recife Antigo:

Ouvi muitos comentários dizendo que seria uma melhoria para o Recife e acho que realmente será. Mas será que essa obra está restrita ao Marco Zero? Ou é mais uma etapa do que vem acontecendo com o Bairro do Recife?  Será que nesse novo Antigo vai ter espaço para os ensaios do maracatu?  Tomara que eles simplesmente não sejam taxados de “desordem pública”. Tem também o Sambão na Confraria do Samba. Bom, tinha, já fecharam.

Assim, na subsequência, poderá ocorrer o mesmo com o bar do Reggae e outros similares.  Sem contar todos os vendedores ambulantes que provavelmente não poderão comercializar por lá.  Espero que não transforme o Antigo num lugar muito Novo, para a classe burguesa beber whisky importado. Se isso acontecer, acho que aqueles 4 reais que os habitantes desse espaço levavam para ingerir aquele vinho, tão estimado, ou mesmo os grandes recipientes de cerveja vulgarmente conhecidos como “latão”, no cara do isopor, mal vai dar para pagar o estacionamento em algum edifício garagem que está por vir, até porque eu não vi nesse Novo Antigo os flanelinhas que guardam o carro.

Esta é a copa de 2014 trazendo as melhorias pro estado.
Existem mais verdades por trás das verdades do governo do estado.

Fonte: Revocultura



Relembrando 2005
09/01/2011, 08:44
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Não deixando que aquilo vivido em 2005, e nesse mês de novembro de 2010 completando 5 anos, fosse esquecido, foi feito um breve resumo de tudo  aquilo…

Ao voltar do feriado nos deparamos com um aumento de 9,55% no preço das passagens (a tarifa A passou de R$1,50 para R$1,65 e a B de R$2,30 para R$2,50). A partir de então as ruas de Recife passam a ser palco de grandes protestos que há anos não se viam na cidade.

17 de novembro de 2005 (quinta-feira)

Voltando à rotina massacrante casa/trabalho/casa após o feriado, a população não ficou nada satisfeita com mais um aumento arbitrário. Para o fim da tarde algumas organizações estudantis chamaram um ato contra o aumento das passagens, no entanto quem engrossou esse primeiro protesto foram indivíduos que passavam pela avenida Conde da Boa Vista e espontaneamente aderiram à manifestação.
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“Ao escondermos nossas faces, elas se multiplicam”
22/12/2010, 17:40
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No dia 26 de maio de 2010, o deputado federal Marcelo Ortiz apresentou no  plenário o projeto de lei 7393/10. Se aprovada, esta lei “proíbe a utilização de equipamento ou artifício que impeça ou dificulte a dentificação e o reconhecimento do usuário em eventos sociais e políticos e massa, e impõe sanções para o seu descumprimento”. Ou seja, será vetada qualquer ação anônima em eventos públicos: nada de máscaras e fantasias. Não é à toa que o deputado federal quer proibi-las. Esta é uma medida que tem como propósito facilitar o controle daquelxs que protestam contra a ordem social atual e está se tornando comum em toda a Europa.

O poder das “autoridades” de identificar, rotular e catalogar todxs aquelxs que resistem contra as classes dominantes é enfraquecido pelo simples uso de uma máscara. O anonimato tem, portanto, uma importância fundamental para a proteção dxs oprimidxs em um contexto opressor como o que vivemos na sociedade capitalista. Ao mostrarem as suas caras, todas as pessoas que protestam  ficam marcadas pelo sistema e vulneráveis a uma represália. Por outro lado, façamos um breve parêntese para mencionar que apesar de as “autoridades” quererem proibir o anonimato, este é uma prática comum entre elas para se livrarem de responsabilidades – o que fica bastante evidente com a estratégia dos policiais de tirarem os seus nomes dos uniformes antes de cometerem suas brutalidades em passeatas e protestos.

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MST: CADA UM É UM SEM TERRA
28/11/2010, 23:24
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Em São Lourenço da Mata, cidade pernambucana que sediará a Copa do Mundo de 2014, está localizado, a 19 km de Recife, mais um acampamento do Movimento Sem Terra do país. 326 famílias estão alojadas em pequenas casas de taipa. Cada uma tem a sua moradia provisória, mas todas compartilham um sonho: a terra própria. A bandeira vermelha hasteada balança, e, na estradinha que dá acesso ao acampamento, a primeira visão é de uma lona de circo armada. Circo que não tem a ver com os acampados, mas, pela proximidade geográfica, até parece ter. Não existe infraestrutura: as casas, um espaço de convivência comunitária e o roçado de cada família, só. As crianças estudam no próximo e pequeno distrito de Matriz da Luz, e assim se leva a vida no acampamento Maria Paraíba desde fevereiro de 2010.

O MST se estruturou no Brasil na década de 1980, quando alguns camponeses decidiram lutar pela idéia da qual há algum tempo haviam se convencido: a ocupação de terras é legítima e fundamental na batalha contra a desigualdade social. Países ditos desenvolvidos, como os Estados Unidos, começaram a promover a reforma agrária ainda no século XIX. “O Brasil mal começou”, diz o senhor Otávio Pedro, 68 anos, que tem um barraco no Maria Paraíba e admira a organização do MST. Assim como outros acampados, Seu Otávio não dorme todos os dias no acampamento, pois tem também uma casa em Matriz da Luz.  O senhor de 68 anos diz que não precisa tanto de um pedaço de terra, mas que está ali para ajudar os companheiros a conseguirem o seu roçado. Nele o princípio de coletividade é vivo, assim como no senhor Severino Araújo, que, mesmo aos 58 anos de idade, pretende acompanhar o MST sempre que necessário: “Assim como os outros lutaram por mim, vou lutar por eles também”.

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Quem são e como vivem os moradores do Trianon
13/10/2010, 19:07
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No último dia 9 de setembro, Edson do Nascimento, 29 anos, entrou num ônibus fretado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto em direção a um lugar ainda desconhecido. Por volta das 4 horas da manhã estacionaram em frente ao Edifício Trianon, na Avenida Guararapes, e um dos líderes anunciou que ali seria o local ocupado. Edson é um dos coordenadores estaduais do movimento e organiza mais de 350 pessoas nos sete andares do imóvel, uma média de 120 famílias. Ícone da arquitetura dos anos 1940, o prédio servia apenas como camarote do Galo da Madrugada, no Carnaval.

Do lado de fora, Priscila, uma menina não maior que 18 anos faz vigília na porta do prédio. Ela se reveza com outra pessoa em turnos de 24×24 para que ninguém entre sem permissão no Trianon. Não-moradores também não podem andar descompanhados dos coordenadores de andar – seis ao todo – nem entrar sem serem anunciados. Há muita organização em diversos setores como iluminação, limpeza, convivência e também política, ainda que muito precária. “Quando chegamos aqui encontramos muito lixo, entulho. Pessoas entravam para defecar, estava imundo”, lembra Edson, que junto com os moradores iniciou a limpeza de todos os andares.

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Solidariedade internacional

Como vocês todos já podem ter percebido o Recife Resiste! tem um novo logo para o coletivo. Temos ainda que trabalhar melhor na resolução e na sua aparência no site, porém como possivelmente mudanças acontecerão em breve não nos preocuparemos muito com isto agora.

Este símbolo é fruto do belo trabalho desenvolvido por um companheiro de terras distantes: Paco Garabato. Para conhecer melhor o trabalho dele é só acessar: http://pacogarabato.blogspot.com/.

Recomendamos também o pessoal do Tinta Negra anARTchist blog (http://tintanegraanartchistblog.blogspot.com/), que é um projeto que visa unir os artistas de cunho libertário de todo o mundo. Entramos em contato com eles para eles nos ajudarem e foram bastante solícitos.

Agradecemos pela “solidariedade internacional”, Recife Resiste!



Resistências cotidianas
12/10/2010, 15:43
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O marasmo nos é palpável. Realizamos as atividades corriqueiras das nossas vidas acompanhados da impressão de que os sonhos acabaram e que chegamos a um lugar onde não existe espaço para mudanças e contestações. É importante, entretanto, nos questionarmos sobre quão verdadeiro é isto. Será que o capitalismo venceu e não há nada mais a ser feito ou sendo feito?

Não, isto não é verdade. Cotidianamente surgem processos de resistência contra a ordem estabelecida. São esforços, gritos e chutes pela superação de um mundo de opressões. Quase que diariamente algo acontece: os que lutam contra o capital não estão sozinhos. Seja um protesto espontâneo contra a demora de um ônibus, ou uma rebelião contra o sistema carcerário assassino, tudo isso comprova que não são todos que suportam viver nesse mundo de cifras.

O capitalismo consegue de maneira muito astuciosa esconder estes processos, torná-los invisíveis.  Tudo aquilo que não interessa às elites é marginalizado. Isto gera a sensação de marasmo, de isolamento. Não nos identificamos com uma greve no metrô e chegamos até a condená-la por afetar as nossas vidas particulares. Não é interesse do capital que compreendamos a importância daquela greve para a construção de uma vida mais justa para os metroviários.

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