recife resiste!


A barbárie em 3 anos: a copa e a mobilidade em Recife.
18/08/2011, 14:26
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Com um pouco mais de ousadia aqui que o outro, um pouco menos ali, os dois grandes jornais corporativos da cidade comemoram a construção dos quatro viadutos na Agamenon. “O FUTURO EM 3 ANOS” diz o Diário, “O TRÂNSITO DO FUTURO” diz o Commercio (11/08/2011), num discurso onde o termo futuro figura como sujeito de um estado superior. Semelhante aos planos quinquenais na Rússia stalinista, aos 50 anos em 5 no Brasil de JK ou ao milagre econômico da ditadura militar, o “futuro em 3 anos” repete mais um capítulo do capitalismo desenvolvimentista.

A mobilidade na cidade do Recife já saturou faz muito tempo e é apenas sob um olhar muito desatento que não percebemos essa realidade. Não há mais horário pra se pegar trânsito, ele existe toda hora, os ônibus estão completamente lotados e neles ainda sofremos com o congestionamento das vias, os altos preços de suas tarifas e com a natureza violenta e desumana do tráfego viário que joga os passageiros pra lá e pra cá dentro do ônibus como se fosse um saco de batatas. O motivo desse cenário lamentável é o contínuo investimento em transporte privado e motorizado. O metrô de Recife é irrisório, não existem ciclovias ou VLT’s e ainda não se usa os rios na Veneza brasileira. E qual é o sentido de ser desse cenário se todos sabem que pra resolver o problema da mobilidade precisamos investir em transporte público e não rodoviário?

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Tempo de tolerância nos jornais
31/03/2011, 19:56
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Se as revoluções democráticas na Tunísia e no Egito ocorressem em Pernambuco, os jornais possivelmente trariam manchetes como “Mais uma tarde de caos no trânsito” com matéria vinculada “Congestionamento durou seis horas”. Foi assim durante a mobilização dos camelôs, em dezembro de 2010, e, recentemente, na passeata dos estudantes contra o aumento no preço das passagens de ônibus.

O pressuposto de liberdade da cartilha liberal, o direito de ir e vir, aparece como critério-notícia da ordem do dia, relegando a reivindicação dos movimentos sociais para segundo plano. Prova disso é carta ao leitor veiculada pelo Diário de Pernambuco no última segunda-feira (31/01). A sugestão é impor o “tempo de tolerância” para os protestos no espaço público.

Ao se referir a um bloqueio feito por moradores na BR-101 Norte, em Igarassu, o missivista reitera a cantilena. Diz ele que “deveria haver pela polícia uma tolerância de aproximadamente 15 minutos em cada protesto e a partir daí partiriam para a força, pois não é admissível que fiquemos à mercê de protestos esdrúxulos”.

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